O Estado do Paraná
A importância das cooperativas no desenvolvimento do Estado do Paraná
Baseado na doutrina e filosofia cooperativista internacional e agrupando mais de 403 mil associados, o Cooperativismo paranaense tem suas raízes nos pioneiros esforços cooperativistas nas comunidades de imigrantes europeus, que procuraram organizar suas estruturas de compra e venda em comum, além de suprir suas necessidades de consumo, eletrificação rural e crédito através de sociedades cooperativistas. Participando dos diversos ciclos econômicos do Estado do Paraná, as cooperativas expandiram as fronteiras agrícolas e passaram a desenvolver-se também no meio urbano nas áreas da saúde, trabalho, turismo, crédito, consumo, educação e habitação.
As 228 cooperativas registradas na Ocepar – Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, envolvendo mais de 2 milhões de paranaenses participam efetivamente, por sua força conjuntural, do desenvolvimento econômico e social do Paraná, com o qual estão comprometidas por sua própria filosofia de trabalho.
O Sistema Ocepar é formado por três sociedades distintas, sem fins lucrativos que, em estreita parceria, se dedicam à representação, fomento, desenvolvimento, capacitação e promoção social das cooperativas paranaenses: O Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – Ocepar, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop/PR e a Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – Fecoopar.
A Ocepar foi criada em 1971 e tem como missão representar e defender os interesses do sistema cooperativista paranaense perante as autoridades constituídas e a sociedade, bem como prestar serviços adequados ao pleno desenvolvimento das cooperativas e de seus integrantes. A Ocepar passou também a exercer funções de sindicato patronal das cooperativas paranaenses, desde 1997 e é a unidade da Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB no Estado do Paraná.
O Sescoop Paraná, órgão estadual do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, passou a funcionar no Paraná em outubro de 1999. Tem personalidade jurídica de direito privado e atua no monitoramento, na formação profissional e promoção social no âmbito das cooperativas paranaenses. É um importante instrumento de modernização empresarial das sociedades cooperativas, aumentando a agilidade e competitividade das cooperativas no mercado e contribuindo para a capacitação e integração social dos dirigentes, cooperados, jovens, colaboradores e familiares.
A Fecoopar é uma entidade que congrega os sindicatos patronais de cooperativas. Apóia os sindicatos filiados nas ações de natureza trabalhista, mediante análises de pautas de reivindicação, oferecimento de contraproposta, negociação e fechamento de acordos e convenções coletivas de trabalho.
Cooperativas registradas na Ocepar – 2005
| Ramo |
Nº de Cooperativas |
Nº de Cooperados |
| Agropecuário |
74 |
106.211 |
| Crédito |
67 |
261.671 |
| Educacional |
14 |
2.913 |
| Habitacional |
01 |
52 |
| Infra-estrutura |
08 |
7.865 |
| Saúde |
33 |
10.606 |
| Trabalho |
14 |
11.137 |
| Transporte |
14 |
1.970 |
| Turismo e Lazer |
02 |
89 |
| Total |
228 |
403.195 |
O cooperativismo agropecuário representa cerca de 53% da economia agrícola do Estado do Paraná (com um faturamento de 18 bilhões de reais no ano de 2004 correspondente a cerca de 18% do Produto Interno Bruto do Paraná, e participa de forma intensa em todo o processo de produção, beneficiamento, armazenamento e industrialização agropecuário, fazendo com que o cooperado seja um agente ativo no mercado interno e externo, bem como nas ações sociais em sua comunidade.
Com seu desenvolvimento as cooperativas passaram a ser importantes instrumentos de difusão de tecnologias e implementadoras de políticas desenvolvimentistas, agindo também como elo de ligação entre o produtor rural e o governo. Isto ocorreu com a difusão do crédito rural, armazenagem, manejo e conservação de solos, manejo integrado de pragas, assentamento de agricultores, agroindustrialização, entre outros, e levou o Paraná à liderança nacional de produção e produtividade agrícola, transformando as cooperativas em agentes de desenvolvimento econômico e social. Hoje, as cooperativas são, em muitos municípios do Paraná, a mais importante empresa econômica, maior empregadora e geradora de receitas, atuando em perfeita sintonia com a coletividade, atendendo cerca de 1/3 da população rural do Estado. Com a integração dos produtores em cooperativas, organizou-se também a produção e, com isso, reduziram-se os agentes de comercialização, aumentando a eficiência dos mecanismos de arrecadação tributária do Estado, o que torna as cooperativas, importantes instrumentos na execução da política fiscal do governo.
Participação das cooperativas na produção agropecuária do Paraná - 2005
Culturas |
Produção recebida (ton) |
Participação das cooperativas na produção do PR(%) |
Algodão (ton) |
78.422 |
87 |
Aveia (ton) |
52.436 |
16 |
Aves para corte (ton) |
426.413 |
23 |
Café Beneficiado (ton) |
35.148 |
24 |
Cana de Açúcar (ton) |
7.355.319 |
23 |
Canola (ton) |
2.047 |
99 |
Cevada (ton) |
233.918 |
100 |
Feijão (ton) |
69.008 |
10 |
Laranja (ton) |
74.996 |
19 |
Leite comercializado (litros/ mil) |
811.198 |
58 |
Maça (ton) |
4.958 |
12 |
Milho (ton) |
4.687.074 |
42 |
Soja (ton) |
6.475.269 |
63 |
Suínos para corte (ton) |
115.494 |
39 |
Trigo (ton) |
1.940.651 |
64 |
Triticale (ton) |
43.853 |
28 |
A expressiva participação dos pequenos e médios produtores (área até 50 ha) nos quadros sociais das cooperativas, representando 70% do total, evidencia a importância das cooperativas para essa faixa de produtores, que são normalmente os menos favorecidos. A integração das cooperativas e a agregação dos interesses dos produtores rurais permitiram a montagem de uma infra-estrutura fantástica de armazenagem da produção, sendo a participação das cooperativas no total da capacidade estática de armazenagem do Estado, de 54%.
Cooperativas e agroindústrias - Paraná 2005
Setor Agroindustrial |
Capacidade total instalada - Paraná |
Participação das cooperativas
na capacidade instalada no Paraná ( em %) |
- Rações |
23.000 t/d |
35% |
- Leite |
|
|
Usina beneficiamento |
4.720.000 l/d |
53% |
Derivados lácteos |
66.000 t/a |
15% |
Leite em pó |
20.000 t/a |
100% |
- Carnes |
|
|
Suínos |
15.000 cab/d |
20% |
Aves |
2.900.000 cab/d |
35% |
Bovinos |
1.850 cab/d |
10% |
- Beneficiamento |
|
|
Algodão |
32.800 t/a |
70% |
- Fiações |
|
|
Algodão |
85.000 t/a |
55% |
Seda |
2.420 t/a |
21% |
- Malte de Cevada |
120.000 t/a |
100% |
- Trigo |
3.650 t/d |
30% |
- Milho |
2.500 t/d |
20% |
- Mandioca |
|
|
Farinha |
38.200 t/d |
5% |
Fécula e amidos |
1.800 t/d |
20% |
- Soja |
|
|
Esmagamento de soja |
28.650 t/d |
40% |
Farelo de soja |
22.600 t/d |
40% |
Refino de óleo |
2.880 t/d |
34% |
Margarinas e gorduras |
1.500 t/d |
15% |
- Cana |
|
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Açúcar |
5.000 t/d |
26% |
Álcool |
1.300.000.000 l/a |
34% |
- Arroz |
5.060 t/d |
5% |
- Café |
|
|
Beneficiamento |
4.000 t/d |
40% |
Torrefação |
220 t/d |
10% |
A vocação agropecuária do Paraná oferece um grande potencial para o desenvolvimento do setor agroindustrial, face à disponibilidade de matérias-primas, de energia, à infra-estrutura para escoamento da produção, à proximidade aos grandes centros de consumo e pela capacidade empreendedora do seu povo. Por outro lado, a expansão da agropecuária está limitada pela ocupação total da fronteira agrícola, portanto, o crescimento da produção depende da melhoria da produtividade, e da agregação de valores aos produtos primários, via agroindustrialização. Outro aspecto que merece citação é a diversificação das cooperativas, operando com todos os produtos agrícolas importantes da economia paranaense, além de serem pioneiras na implantação de novas culturas e projetos.
Assim, a agronegócio tem se apresentado como a mola propulsora para a transformação do Estado de exportador de matérias-primas em exportador de bens de consumo, aproveitando o potencial disponível. As cooperativas agropecuárias se constituem em elemento fundamental para implantar novos projetos pois, através delas, suas ações no setor resultam na agregação de valores sobre o produto primário retornando ao produtor, que por sua vez poderá reinvestir na atividade produtiva garantindo, com isso, a oferta de matérias-primas em níveis permanentes e, ao mesmo tempo, desenvolvendo o meio rural.
As cooperativas de consumo buscam oferecer melhor qualidade de produtos a preços mais acessíveis para seus cooperados, fortalecendo o consumidor enquanto planejador de suas necessidades de consumo.
As cooperativas de crédito atuam em diversos setores da economia. No Paraná há três sistemas de crédito organizados em centrais: Sicredi, Sicoob e Unicred. As cooperativas Sicredi estão filiadas à Cooperativa Central de Crédito do Paraná - Sicredi Central, e são acionistas do Bansicredi – Banco Cooperativo Sicredi; as cooperativas do sistema Sicoob, atuando principalmente junto ao público urbano, estão filiadas à Sicoob Central Paraná e são acionistas do Bancoob - Banco Cooperativo Brasileiro; e as Unicred’s, formadas principalmente por profissionais da área da saúde são filiadas à Unicred Central. Há ainda cooperativas de crédito urbano e rural não vinculadas às centrais.
As cooperativas de saúde são formadas por profissionais que atuam em atendimento médico, hospitalar, odontológico, fisioterapia, enfermagem, e de outros. Inclusive na organização de usuários do sistema médico-hospitalar. Possibilitam que os profissionais da área se organizem e passem a oferecer seu trabalho através da formação de sistemas de convênios como Unimed e Uniodonto. Além de fortalecerem a liberdade profissional, facilitam o acesso da sociedade aos convênios de saúde a custos acessíveis, contrapondo-se ao sistema mercantilista. Hoje o sistema Unimed possui mais de 860 mil clientes, sendo o maior sistema de seguro saúde do Paraná.
A finalidade das cooperativas habitacionais é a reunião de pessoas com vistas à aquisição de moradias próprias. Os recursos podem ser próprios, através do autofinanciamento, onde todos os cooperados contribuem com parcelas mensais, gerando um fundo para a construção da obra. Também podem obter recursos externos, através dos agentes financeiros, fundos imobiliários ou de outras fontes.
O cooperativismo de infra-estrutura é composto pelas cooperativas de eletrificação rural, que fornecem serviços de energia elétrica às propriedades rurais. Desenvolveram suas atividades instalando redes de energia elétrica e fornecendo a energia através da geração própria ou repassando a energia das concessionárias estatais, com a comercialização e manutenção de equipamentos elétricos e prestação de serviços. Com a desestatização e mudança da política energética do país, partiram também para a geração própria de energia através da construção de pequenas centrais hidrelétricas.
As cooperativas de trabalho são constituídas por profissionais ou trabalhadores que se unem solidariamente para oferecerem seus serviços ao mercado de trabalho, apresentando-se como forte alternativa ao desemprego e geração de renda. Esse ramo vem apresentando grande crescimento em função do alto índice de desemprego e do processo de terceirização das empresas dentro da nova organização da produção. A organização dos profissionais autônomos e trabalhadores em cooperativas de trabalho é uma forma inteligente de agrupar a oferta de trabalho especializado, atrativa para os tomadores de serviços pois as cooperativas podem dar suporte à demanda.
As cooperativas educacionais são formadas por pais de alunos, por professores ou por alunos que buscam no cooperativismo uma solução adequada às deficiências do setor. Pais de alunos, por exemplo, podem manter escolas onde, através da interação de toda a estrutura educacional, as ações são estabelecidas visando a formação integral dos alunos. A melhor qualidade do ensino, redução dos custos e melhores condições ao corpo discente são algumas das vantagens dessas cooperativas constituídas com base na auto-ajuda, responsabilidade, democracia, igualdade, eqüidade e solidariedade. Neste ramo também estão inseridas as cooperativas escola, constituídas por alunos de escolas técnicas agrícolas que exercem atividade agropecuária para auxiliar na manutenção dos estabelecimentos sob a responsabilidade dos próprios alunos.
As cooperativas de transporte reúnem transportadores de cargas e de passageiros, sendo uma alternativa de valorização profissional e melhor remuneração dos profissionais, que são donos de seus veículos de transporte. Organizados, tornam a categoria profissional mais forte, o que traz benefícios nas negociações com os tomadores de serviços, que também se sentem mais seguros ao contratarem os serviços das cooperativas.
As cooperativas de turismo e lazer congregam profissionais que exercem atividades ligadas ao turismo que é um setor de grande importância econômica em todo o mundo. Também o meio rural, onde estão inseridas as cooperativas agropecuárias, oferece muitas atrações, cada vez mais procuradas pelo público urbano.
Os investimentos sociais das cooperativas
O conceito de responsabilidade social é relativamente novo para a maioria das empresas. Entretanto, para as cooperativas esse conceito advém dos próprios princípios e valores do Cooperativismo. A preocupação com a cidadania, com o meio ambiente, com o bem estar social, com a educação, com a saúde, com a qualidade de vida dos associados, funcionários, comunidade, clientes, fornecedores e consumidores faz parte da cultura cooperativista.
O total de investimentos com indicadores sociais das cooperativas em 2004 chegou a R$ 2,08 bilhões, representando 12,98% da receita líquida. |
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